o ser sozinho

08/04/2011 § Deixe um comentário

a espada da justiça demonstra
lâmina cega que bate e não arranha
o escudo denso e covarde da omissão

veja a árvore que sombreia
braços incastos do ser sozinho
é a mesma que promete e desaparece
sobre um vazio transcendendo a solidão

pra onde vai, de onde veio
pra onde foi o sincero sorriso
da impura juventude que se foi

a chuva cai, o fim e o meio
diz como doi o que justifica
a candura que deixam pra depois

de ilusão

02/04/2011 § Deixe um comentário

amor de ilusão amplo feito o mar
de tão grande, parece não ter fim
navegando se chega a algum lugar
a dor sem ter timão, mas sem naufragar

no vazio de todos os rostos que conheço
espelho que os vejo, não me reconheço
felicidade não depende apenas de carinho
pra quem está sozinho entre a multidão

praia

19/01/2011 § 1 comentário

minha vida é praia pra turista
porque quem está perto
está mesmo certo de que minha pele
é areia sob o sol de meio dia
que sobrepuja tanta covardia
e se deixa levar
vez sim, outra também
pelas ondas geladas do mar.

Coração mutante

11/12/2010 § Deixe um comentário

Tudo se transforma
muda forma, conteúdo, opinião
coração mutante
sem razão está

entre um cigarro e outro
um gole de café amargo
desce e desaparece
entre os tragos da manhã

há quem viva quase morto
ou quase vivo
sem medida do perigo
o mundo há de acabar

cada vez que me arrisco
do mapa eu me risco
dar a cara a tapa
eu me canso e descanso

entre o corte da navalha
o fio da meada
timing, feeling
seja o fim dessa picada

sobre o vento não sirvo
apenas pra mudar sua direção
mudo forma, conteúdo, opinião
com quem razão não sei está

Notícias populares

29/11/2010 § Deixe um comentário

Sirenes antecipam
a impotência do ser.
E depois, o que será?
Pra onde vai essa dor,
Quando ela amenizar?

O que será que acontece
quando viram a rua
e cruzam a esquina.
Meu caminho não é lá…

Vermelho e azul se destacam
E se misturam e se perdem.
Depois preto no branco,
sujeira de cachorro pra limpar.

Cão dos diabos

05/11/2010 § Deixe um comentário

Eu andava pelos becos
chutando o lixo pros cantos,
desacreditado.
zanzando pra lá e pra cá
punindo a mim mesmo,
como um viciado.

Foi quando dei de cara
com essa criatura
cabeça baixa, insegura
ouviu meus passos,
despertou.
Seu olho brilhando
no breu,
de repente encontrou
o meu.
Rosnou, latiu,
mas não avançou.
E foi bem ali
na rua da amargura
que ele me ganhou.

o amor
o amor é um cão
dos diabos.
como quem nada quer,
vem abanando seu rabo.
te pega pra escravo

o amor
o amor é um cão
dos diabos.
você pode negar,
mas alimenta o coitado.
e vale cada centavo.

Central do Brasil

29/07/2010 § Deixe um comentário

havia quem vendesse de tudo
sacolas, farrapos
maconha, sapatos
sorte, crack e mais trapos

mendigos, navalhas reluzentes
ignoravam raios de sol ardentes
em meio aos pombos, assim
desmaiavam, descrentes

havia quem comprasse de tudo
a fé no infinito
o riso contido
o amor não resolvido

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